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7 erros que aceleram a ferrugem em portões e grades perto do mar
Quem mora na Ilha do Governador, na Maré, em Ramos ou em Bonsucesso convive com uma combinação que castiga qualquer peça metálica: ar salino vindo da Baía de Guanabara, umidade alta quase o ano inteiro, chuvas fortes de verão e a fuligem do tráfego intenso da Avenida Brasil. Mesmo nos bairros mais afastados da água, como Penha, Olaria e Méier, ou em várias cidades da Baixada Fluminense, a ferrugem aparece cedo em portões, grades, corrimãos e guarda-corpos. Ela não é uma surpresa, mas boa parte dos casos é acelerada por decisões tomadas antes, durante e depois da fabricação. O portal Comercio Expandefer reuniu sete erros recorrentes para ajudar quem reforma, constrói ou administra um imóvel a entender o que está por trás do problema e o que conversar com o serralheiro.
1. Escolher o material só pela aparência. Ferro comum e aço carbono são resistentes e fáceis de soldar, mas oxidam rapidamente quando ficam sem proteção. O aço galvanizado recebe uma camada de zinco que funciona como barreira e se sacrifica no lugar do aço, o que costuma fazer sentido em áreas expostas à chuva e à maresia. O inox resiste bem à corrosão, mas existem tipos diferentes, e nem todos se comportam igual perto do mar. O alumínio não enferruja como o ferro, porém tem menos rigidez e pede outro tipo de solda e de fixação. Antes de decidir, vale perguntar ao fornecedor qual liga e qual tratamento estão previstos para aquela peça e para aquele ponto da casa.
2. Pintar sem preparar a superfície. Uma tinta aplicada sobre carepa de laminação, óleo de corte ou ferrugem superficial descasca em pouco tempo, e a oxidação continua avançando por baixo da película. O preparo correto envolve limpeza, remoção da ferrugem solta por lixamento ou escovação, desengraxe e aplicação de um fundo antioxidante antes do acabamento. Na pintura eletrostática a pó, o preparo químico da peça também faz diferença no resultado. Quando o orçamento separa material, mão de obra, pintura e instalação, é justamente o item de pintura que mostra se essa etapa foi considerada ou se apenas uma demão de esmalte está prevista.
3. Desenhar a peça sem pensar na água. Tubos abertos nas pontas, cantos que formam pequenas bacias, travessas horizontais sem caimento e a base do portão encostada no piso molhado acumulam água e sujeira. O resultado é uma corrosão que começa por dentro e só aparece quando o metal já está fino. Tampas soldadas nas extremidades dos tubos, pequenos furos de drenagem em pontos baixos, um afastamento mínimo entre a folha do portão e o chão e trilhos que não fiquem empoçados ajudam bastante. Esses detalhes cabem no projeto e custam pouco quando são definidos antes da fabricação.
4. Aceitar solda sem acabamento. A solda é o ponto mais vulnerável de uma estrutura metálica, porque o calor altera o material ao redor e deixa respingos, escória e às vezes pequenos poros. Se nada disso for removido e tratado, a tinta não adere direito e a ferrugem nasce exatamente nas emendas. Na entrega, observe se os cordões estão contínuos, sem furos visíveis, se os respingos foram esmerilhados e se as emendas receberam fundo antes da cor final. Em guarda-corpos e corrimãos, as soldas também precisam estar firmes ao toque, sem trincas, já que essas peças trabalham com o peso das pessoas.
5. Chumbar mal em alvenaria antiga. Muitas casas da Penha, do Méier e de Olaria têm paredes de tijolo maciço com argamassa porosa, que guarda umidade por muito tempo. Quando o chumbador de uma grade ou de um portão fica em contato com essa umidade, ele oxida dentro da parede e aumenta de volume, o que trinca o reboco e afrouxa a fixação. Por isso, o ponto de entrada da peça na alvenaria precisa ser bem preenchido e selado, e o próprio chumbador deve receber proteção. Em paredes muito desgastadas, vale avaliar com o serralheiro se a fixação lateral é a solução adequada ou se outro apoio faz mais sentido.
6. Misturar metais sem cuidado. Parafusos de aço comum em peças de alumínio ou de inox, ou dobradiças de um metal presas em outro, podem provocar corrosão galvânica: na presença de umidade e sal, um dos metais passa a se desgastar no lugar do outro. É comum ver uma esquadria em bom estado com manchas escuras ou furos justamente em volta dos parafusos. A saída é usar ferragens compatíveis com o material principal ou isolar o contato entre metais diferentes com arruelas e materiais apropriados. Essa é uma pergunta simples para fazer quando o projeto é apresentado.
7. Achar que a peça dispensa cuidados depois de instalada. Em áreas expostas ao ar marinho, lavar periodicamente as grades e os portões com água doce remove o sal acumulado, que continua agindo mesmo sobre superfícies pintadas. Uma inspeção depois do verão ajuda a encontrar pontos pequenos de oxidação, que podem ser lixados e retocados antes de se espalharem. No portão automático, trilho limpo, roldanas em bom estado, folha alinhada e uma revisão periódica do conjunto evitam esforço excessivo e falhas no funcionamento. Esquadrias de ferro de imóveis antigos também pedem atenção às dobradiças e à massa entre o metal e a parede.
Nenhum desses cuidados elimina o desgaste natural do metal em um clima como o da zona norte e da Baixada, mas todos influenciam quanto tempo a peça fica bonita e firme. O conteúdo deste portal é informativo: não vendemos peças, não fazemos orçamentos e não agendamos visitas. A proposta é que você chegue à conversa com o serralheiro sabendo quais perguntas fazer sobre material, preparo, desenho, solda, fixação e conservação, e consiga comparar propostas entendendo o que cada item realmente inclui.